Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), esta é a oitava condenação por crimes sexuais praticados contra mulheres durante atendimentos espirituais na cidade de Abadiânia, no interior de Goiás. A pena imposta pelo juiz Marcos Boechat Lopes Filho refere-se a oito crimes de estupro de vulnerável e 26 infrações penais de violação sexual mediante fraude cometidos pelo ex-médium. Ao todo, o Judiciário recebeu 15 denúncias contra João de Deus por crimes sexuais.
As condenações levaram em consideração os relatos de 42 vítimas que foram violentadas entre 1985 e 2018. João de Deus já havia sido condenado a um total de 211 anos de prisão, somadas todas as sentenças.
Confira as demais condenações
19 anos e quatro meses de reclusão por violação sexual mediante fraude, na modalidade tentada; violação sexual mediante fraude; e dois estupros de vulneráveis
40 anos de reclusão por cinco estupros de vulneráveis
dois anos e seis meses de reclusão por violação sexual mediante fraude contra uma vítima
44 anos e seis meses de reclusão por estupro contra duas vítimas e estupro de vulnerável em relação a outras duas vítimas
quatro anos de reclusão por violação sexual mediante fraude
41 anos e quatro meses de reclusão por três crimes de estupro de vulnerável e por 21 crimes de violação sexual mediante fraude
16 anos e 10 meses de reclusão por um estupro de vulnerável, uma) violação sexual mediante fraude e uma violação sexual mediante fraude na modalidade tentada
51 anos e nove meses de reclusão por quatro crimes de estupro de vulnerável e três crimes de violação sexual mediante fraude
A maior parte dos crimes foram cometidos dentro do centro espiritual que João de Deus, mantido durante quase cinco décadas em Abadiânia. Mais de 300 mulheres procuraram o MP-GO para denunciá-lo após o caso se tornar público.
As mulheres contam que foram desacompanhadas à Casa de Dom Inácio de Loyola, o “hospital espiritual” mantido por João de Deus. Elas dizem que o médium, durante os atendimentos ao público, quando estaria incorporado por uma entidade espiritual, escolhia algumas em meio à multidão e pedia que o encontrassem em uma salinha após o fim da sessão.
Sempre colocadas como últimas na fila de espera para o atendimento pessoal, elas entravam em um escritório que dava acesso à sala de cirurgias. Neste momento, ficariam no local apenas o médium e a paciente. Com a porta trancada e as luzes apagadas, seriam tocadas nos seios pelo líder espiritual de 76 anos, e/ou ordenadas a tocá-lo no pênis, parte de uma “limpeza espiritual”.
*Com informações de O GLOBO